Existe vida pós-acústicoPor Josie Moraes, fotos de divulgaçãoMuitos acústicos marcaram o fim de bandas ou o começo de uma fase sem inovação. Nirvana, Cidade Negra (cadê?) e até Sandy & Júnior são exemplos. O
novo álbum do Lenine,
Labiata (Universal), quebra o mau presságio.
Mais do que isso. É uma prova de que
fonte boa não seca. Trata-se de um álbum que mistura um pouco do belíssimo
Falange Canibal com um pouco da fase mais madura e pé no freio de
InCité. É um passeio na quebradeira característica do violão leniniano com a mistura de guitarras distorcidas, vioncelo, violino, surdo, piano safado, cavaquinho, reco-reco, zabumba, trompete e trombone. O álbum inteiro é belo, intenso, hibridizado.
Nas letras o lirismo aguçado de um observador de situações. Capaz de fazer um jogo de palavras como um pintor, cada pincelada se integra com o contexto. Em “É o que me interessa”, frases se completam numa poesia pura. Profundo.
“A lógica do vento, o caos do pensamento, a paz na solidão. A órbita do tempo, a pausa do retrato. A voz da intuição. A curva do universo. A fórmula do acaso”. Uma balada mais bonita do que a aclamada Paciência.
A primeira faixa “Martelo Bigorna” faz parte da trilha da novela global Caminho das Índias. Não é a primeira vez isso acontece. O que é bom alcança o povo. Que seja uma porta de entrada para o resto do trabalho. Cada elemento tem significado em uma obra de arte de verdade. Em entrevista, Lenine disse que Labiata é uma flor resistente, assim como a música brasileira. Eternidade para ele.
Agenda!
- 22.02: Carnaval: Marco Zero - Recife, PE e Pau D'alho - Paudalho, PE
- 23.02: Pólo Várzea - Recife, PE
- 24.02: Vitória de Santo Antão, PE
- 13.03: Chevrolet Hall - Belo Horizonte, MG
- 14.03: Circo Voador - Rio de Janeiro, RJ
- Depois segue para turnê na Europa.
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