
Música e asas
por Josie Moraes
Publicidade e arte. A criatividade pode ter diversas formas, fôrmas e asas. Em mentes criativas surgem músicas e harmonias que ajudam a contar a história do novo século. Alê Vianna é nitidamente intuitivo, inspirado e um excelente contador de histórias. Carrega o violão nos churrascos e ouve música brasileira sem preconceito. Autodidata, entre o trabalho numa agência, partidas de futebol e encontros musicais, ele compõe e toca na banda Mojito Experience. Já com algumas apresentações na trajetória ele compõe letras inspirado por livros, reflexões sobre a sociedade e o universo jovem. Tudo bem hibridizado e influenciado.
Parte da juventude que espera um dia poder viver só de música, com o dinheiro do caminho paralelo, investe um pouco em equipamento para ajudar o estúdio improvisado na casa de Gui, baterista da banda. Mesmo lugar da reunião de um projeto de música experimental em uma grande jam session, o Kazasu. Batalha difícil e incansável nos grandes e pequenos centros urbanos repletos de espinhas de peixe*. Junto com centenas de outros músicos, pode contar com a ajuda da internet para divulgar o trabalho. Mas só de talento não vive a música. Democracia e carisma são necessários. Cantar aos ouvidos requer sentimento e sensibilidade, muitas vezes mais do que técnica e virtuosismo. Carisma não se aprende, a música sim.
Por isso, é uma aposta. Sem gravadora, sem produtor, ainda em fase de gravação. Mas experimentalmente são donos de funk, levadas dançantes e letras como a de “Horário eleitoral”, que deveria ser um verdadeiro hino para quem está inconformado com o País.
Aguardem notícias na RAIZ.
Vale a pena!
Eu aposto e você?
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* No filme Bye Bye Brasil (Cacá Diegues) espinhas de peixe significam as antenas de televisão que começavam a adentrar as casas do brasileiro na década de 80, tirando o encanto pela arte de rua.