A idéia que gerou o livro "música para..." agora continua em versão blog. Matérias, entrevistas, fotos, opiniões. O blog que contempla a música.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Para ver e ouvir

Por Josie Moraes

O cinema nacional acordou para a música. Tava na hora. Nossa terra adorada tem mesmo uma riqueza imensa de músicos-personagens cujas histórias são sucessos de bilheteria.

O novo DVD de Marisa Monte tem um documentário de turnê à altura do impressionante "Universo ao meu redor". Com aquela voz doce peculiar, Marisa conta mais sobre a indústria fonográfica e bastidores de sua carreira. Na verdade, o roteiro permite um passeio nos pensamentos da cabeça lúcida e profissional da reconhecida cantora brasileira. O documentário tem a proposta de mostrar que vida de músico é doce, mas não é mole não. É encantador para o fã ver a Marisa lavando o figurino na banheira do hotel. Assustador ver a quantidade de jornalistas fazendo as mesmas perguntas. É gostoso ver a seriedade dela diante dos shows. Uma artista, porém um trabalho.

"Fabricando Tom Zé" não é tão profundo e mostra bastidores da fase recente do cantor com depoimentos que contam um pouco mais sua história. Brilhante a iniciativa de quem fez acontecer, porque todo mundo já sabia que o Tom Zé é uma figura extremamente interessante em tudo que fala. Bastava ligar a câmera. Quem acompanha mais intensamente a carreira cantor, pode sentir falta de alguns elementos na apresentação da história. A fase de ostracismo ganha conclusões de Gil, Caetano e David Byrne. Mas a cena do surto Tom Zé em uma passagem de som em Montreaux (Suíça) vale mais do que qualquer outra para entender quem é Tom Zé e qual é o verdadeiro espírito da vanguarda e face da experimentação. Gênio sim, como tantos outros por aí.

O longa "Titãs – A vida até parece uma festa" revoluciona a linguagem de documentários. Vantagem de quem tinha uma câmera na mão e muitas ideias nos violões em outras décadas. Com ou sem linguagem inovadora, é muito bom poder ver música. Faltava. Assim como ainda falta biografias de brasileiros ilustres, um problema sério de ausência de registro documental para a posteridade. O mais importante é fazer não só para o fã de um personagem, mas sim para o brasileiro. É fazer o público de fato ver música. Enxergar o músico e, por trás dele, o Brasil.

Veja Marisa Monte falando sobre o DVD "Universo ao meu Redor"



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Inédito



Um satélite na cabeça


Texto e fotos por Josie Moraes

No ano passado passei uns dias em Recife e Olinda colhendo material sobre o Carnaval de lá. Ia sair uma matéria de capa na RAIZ, mas no País da Ivete Sangalo, revista de cultura popular de raiz não fica em pé. Conversei com muita gente e respirei a preparação do Carnaval em Recife e Olinda semanas antes do evento.

Figuras muito especiais me receberam por lá. Aprendi que carnaval não é sexo, nem cerveja, nem bunda, nem peito, nem Globeleza. Carnaval é a nossa cultura ou um ritual anual de celebração das manifestações culturais de um País.
Como a matéria é grande demais eu deixo aqui trechos dela:

“Desde os festejos africanos, coroações de Congos e de toda origem do Carnaval, as ruas de Olinda mudam de aspecto. Talvez fascinem tanto olhares estrangeiros por apresentarem diversos carnavais em um só. É quase impossível tirar um cochilo num domingo à tarde, pois são tantas as orquestras, batucadas, zabumbas, ganzás, trompetes, pandeiros, misturadas que a cidade vira um imenso pólo de ritmos. Quem pensa que só vai encontrar o frevo, se engana. Forró, maracatu de baque solto e baque virado, coco, ciranda, afoxé, maxixe, cabloco, pastoril. Tudo ao alcance de uma esquina, numa dobrada de ladeira, num espaço cultural, na casa de mestres, na rua. Acessível e barato (...)"


“Festa maior que não se restringe apenas as duas cidades (Recife e Olinda), em todos os bairros em cada comunidade, turistas e o povo local se misturam e celebram uma fase quase mística em que, segundo Ranício Galvão da Ceroula de Olinda, até as folhas de palmeiras imperiais balançam de maneira diferente, mesmo sem vento (...)"

"Recentemente, o clube Homem da Meia Noite recebeu o prêmio de Patrimônio Vivo de Pernambuco e por isso recebe 1.500 reais mensais, uma verba importante que ajuda a manter o trabalho que ultrapassa o limite de um Carnaval de apenas cinco dias. “Quando chega uma pessoa aqui falando de dinheiro, parece formigueiro. Só que eu acho que as pessoas deveriam estar envolvidas com a questão sócio-cultural, deveriam ter bons valores”, diz Luiz Adolpho Alves e Silva, presidente do Homem da Meia Noite (...)"

"Na Capital, a descentralização – Um cartão postal de uma cidade que mistura a arquitetura e encanto de outras cidades numa só. Correria de São Paulo, calor de Salvador, arquitetura de Veneza, beleza de um Rio de Janeiro. Com o lema de Carnaval multicultural, espalha arte por diversos cantos. O folião também não paga nada para se divertir e ainda escolhe no cardápio o que o apetite do dia pede. A efervescência está mais borbulhante do que nunca, com infra-estrutura de cidade grande recebe muita gente que brinca nas duas cidades, de manhã em Olinda e a noite em Recife. Em 2008, foram 540 mil turistas recebidos pela cidade, movimentando mais de 200 milhões de reais.

Mas descentralizando é que se pode centralizar. Para administrar tanta diversidade de atrações a Prefeitura resolveu criar um esquema de pólos centrais e pólos descentralizados. “
Temos uma estética de Carnaval desde 2001, nosso objetivo era organizar e melhorar o que estava caído, o folião ressurgiu. Quando o prefeito João Paulo chegou a gente tinha três milhões de reais de verba para o Carnaval. Em 2008 a verba foi de 30,7 milhões de reais. Cultura é prioridade na gestão pública”, afirma Fernando Duarte Fonseca, presidente da Fundação de Cultura da Cidade do Recife. (...)".

BOM CARNAVAL, BRASILEIROS!


Leia minha matéria sobre Homem da Meia Noite - Revista RAIZ

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Vale a pena_resenha

Existe vida pós-acústico

Por Josie Moraes, fotos de divulgação

Muitos acústicos marcaram o fim de bandas ou o começo de uma fase sem inovação. Nirvana, Cidade Negra (cadê?) e até Sandy & Júnior são exemplos. O novo álbum do Lenine, Labiata (Universal), quebra o mau presságio.

Mais do que isso. É uma prova de que fonte boa não seca. Trata-se de um álbum que mistura um pouco do belíssimo Falange Canibal com um pouco da fase mais madura e pé no freio de InCité. É um passeio na quebradeira característica do violão leniniano com a mistura de guitarras distorcidas, vioncelo, violino, surdo, piano safado, cavaquinho, reco-reco, zabumba, trompete e trombone. O álbum inteiro é belo, intenso, hibridizado.

Nas letras o lirismo aguçado de um observador de situações. Capaz de fazer um jogo de palavras como um pintor, cada pincelada se integra com o contexto. Em “É o que me interessa”, frases se completam numa poesia pura. Profundo. A lógica do vento, o caos do pensamento, a paz na solidão. A órbita do tempo, a pausa do retrato. A voz da intuição. A curva do universo. A fórmula do acaso”. Uma balada mais bonita do que a aclamada Paciência.

A primeira faixa “Martelo Bigorna” faz parte da trilha da novela global Caminho das Índias. Não é a primeira vez isso acontece. O que é bom alcança o povo. Que seja uma porta de entrada para o resto do trabalho. Cada elemento tem significado em uma obra de arte de verdade. Em entrevista, Lenine disse que Labiata é uma flor resistente, assim como a música brasileira. Eternidade para ele.

Agenda!
  • 22.02: Carnaval: Marco Zero - Recife, PE e Pau D'alho - Paudalho, PE
  • 23.02: Pólo Várzea - Recife, PE
  • 24.02: Vitória de Santo Antão, PE
  • 13.03: Chevrolet Hall - Belo Horizonte, MG
  • 14.03: Circo Voador - Rio de Janeiro, RJ
  • Depois segue para turnê na Europa.

Site oficial
Ouça na rádio UOL

A volta

Salve Salve!

O música para blog está de volta! Agora também com assinatura da jornalista Victoria Vajda, a co-autora do livro "Música para...".

Matérias, textos, críticas, vídeos (muito vídeos)... Muitas novidades ainda vão rolar!

Tudo para quem gosta de ver, ouvir e ler música!



segunda-feira, 30 de junho de 2008

Cobertura_Show Mojito Experience

Fora da garagem

texto: Josie Moraes
foto:
Martin Managau

A formação de uma banda tem mais a dizer do que se pensa, desde as experiências pessoais de cada músico até a postura diante do público. No show de 28 e junho, no Viva São Paulo, a banda paulistana Mojito Experience mostrou uma sintonia possível apenas para quem ensaia de verdade. Seja na garagem ou num estúdio bam-bam-bam, ensaiar ainda é a melhor maneira de praticar a música de forma coletiva.

No palco mostraram nitidamente a vontade que estavam de tocar depois de dois anos. Como qualquer estréia (ou reestréia), a adrenalina inicial foi tão visível quanto o processo de se sentir a vontade nos minutos seguintes. Sem CD gravado, Mojito Experience reúne criatividade. De um lado, Gralha, um guitarrista que cria riffs capazes de levantar qualquer melodia. De outro, Dinho, o baixista que se mantém firme e forte na harmonia. Na bateria, Gui, que ora ataca suavemente ora sabe fazer crescer a dinâmica. Destaque para as letras pra lá de inteligentes e energia de Alê Viana, que além de tocar um violão numa quebradeira filha de Lenine, tem uma voz afinada que encaixa perfeitamente no contexto.

O público reagiu positivamente, ainda tentando entender a proposta do som que é chamado de experimental, mas está mais para hibridizado. Vale lembrar que mostrar repertório próprio em balada é desafio grande nos dias de hoje. "Por mim tá tudo bem" é uma das músicas com mais personalidade, que deveria abrir o show, mas finalizou. "Tô com sono" é uma viagem sem volta que mais reflete a inquietude das mentes dos quatro jovens rapazes criativos. "Horário Eleitoral" deveria ser (ou será) hino nacional na boca da moçada. Para apimentar, eles optaram por felizes covers (Salve Chico Science), mas sem perder o foco da apresentação.

Na garagem, ou melhor, no quarto da casa do baterista Gui, experimentaram tanto que ganharam mais do que boas composições. Ganharam sintonia e integração suficientes para serem percebidas nos palcos. Algo que muita banda por aí perde na primeira turnê.

Ouça agora:
http://www.tramavirtual.com.br/artista/mojito

terça-feira, 24 de junho de 2008

Crítica_O.C.O


Orquestra Contemporânea de Olinda

texto e fotos por Josie Moraes


Muito tem se falado da cultura pernambucana para o resto do Brasil nos últimos três anos. Um assunto agendado que tem trazido a São Paulo apresentações de artistas populares, principalmente da cena musical, antes não acessíveis sem alguma pesquisa mais aprofundada. A Orquestra Contemporânea de Olinda proporciona curiosidade já pelo nome. Ao batizar a banda de orquestra, remete ao agrupamento instrumental utilizado na música erudita. Com o conceito do contemporâneo revela uma quebra de antigos valores demonstrando uma preocupação com o novo, novas formas, com o pós- moderno. Ao juntar-se com o nome da cidade dá dicas e já indica traços da espécie de cultura popular que pode ser encontrada.

Muito além de uma banda que pega carona no manguebeat como herança de Chico Science, acaba refletindo na questão do popular que bebe na fonte do erudito. Uma orquestra pelo tamanho - conta com 12 músicos - e por também ter um pé na música erudita como influência de metais. Em linhas de origem cronológica - algo difícil de mensurar quando se trata de música - o próprio frevo, ritmo associado a Pernambuco, tem descendência da polca-marcha, executada pelos militares na virada do século XIX. Um ritmo reconhecido por guarda-chuvas coloridos cuja origem está atrelada a um universo erudito com forte influência de capoeira, dobrado e maxixe, ainda, segundo alguns estudiosos, de brincadeiras de cortejos portugueses.

Na obra de Orquestra Contemporânea de Olinda, o frevo funciona apenas como pano de fundo e não como elemento principal da banda até mesmo para fugir de um lugar comum. De qualquer forma, algumas músicas, principalmente as instrumentais apresentadas em shows, fazem lembrar o frevo de "tempo binário em andamento rapidíssimo", definido por Mario de Andrade. Os arranjos transmitem mais os elementos do coco, baião, forró, samba e não negam o jazz, batidas afrobeat e um certo suíngue de ska e reggae jamaicano. No palco, o conjunto de metais - trompete, sax alto, trombone e tuba - tem permissão para improvisações em escalas de jazz. Os riffs de guitarra com distorção e frases de baixo "funkeados" fazem sentido na construção da harmonia, como parte integrante dos climas criados para dar ênfase à melodia. As letras das composições com temáticas simples refletem um cenário nordestino urbano de pernambucanos apaixonado pela própria cultura em fases como "bandeira com estrela é sorte" e "toda parte que é forte representa o Norte" de "Joga do Peito". Expressões típicas e a oralidade popular são preservadas e fazem parte da métrica sem tornar em um linguajar incompreendido. Em "Tá falado", faixa que abre o CD, a interferência sem excessos de um DJ deve cair bem aos ouvidos do público jovem, apenas como um tempero que combina com o sotaque de tradicional do vocalista. Destaque também para a participação da cantora revelação Issar de França que lembra mais o estilo de coquistas.

Dos 12 músicos, seis são integrantes do olindense Grêmio Musical Henrique Dias. Tem sob comando dos arranjos de metais o maestro Ivan do Espírito Santo, que aprendeu a tocar na agremiação e é apreciador de música clássica. Cada músico é um personagem de papel importante na construção do primeiro CD, assim como nas apresentações ao vivo em que se vestem de roupa tão colorida quanto às pinturas das casas de Olinda na ladeira do Amparo. Maciel Salú empresta às músicas o sotaque e a interpretação simplista das letras e ainda toca rabeca nos shows, como bom filho de Mestre Salustiano. O cantor e compositor Tiné dá um ar de frescor com uma voz suave e exploração de graves e agudos. Gilú, na percussão, é afrobeat puro, um menino que brinca de tocar, com prazer nítido nos olhos fechados sob a luz dos holofotes.

Cada vez mais, as manifestações culturais de Pernambuco penetram a mídia e entram na cabeça de antigas e novas gerações. Algumas atuam com proposta de se tornarem conhecidas em um caráter regionalista, promovendo até um efeito de salvaguarda. Outras se destacam justamente por fundir inspirações tradicionalistas com melodias modernas sem criar a atmosfera da imposição de uma cultura de massa, imposição essa tão criticada por Tinhorão. Ela é porque é, sem pretensão de ser. É da mistura que nasce à hibridização, consciente ou inconsciente. Consciente quando é fabricada para a repercussão da discussão do contemporâneo cheio de raízes e, inconsciente, quando funciona como parte de um processo natural e espontâneo de criação do músico e suas influências.Talvez por isso, se destaque tanto os músicos pernambucanos. Da antítese do urbano e rural, do espírito de contraste ex-colonizado afro-brasileiro presente nas 19 micro-regiões tão próximas de Pernambuco. Colhem-se frutos inevitáveis dos que nasceram em meio a toda aquele caldeirão de ritmos.

Ouça agora: http://www.myspace.com/orquestracontemporaneadeolinda

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Vale a pena_Agenda


Orquestra Contemporânea de Olinda

O esperado CD saiu e os 12 músicos estão em turnê. Imperdível. Em breve, análise no blog.

07/06 - FESTA DO RONCA RONCA/RJ - OI- FM - 22h
12/06 - SESC POMPÉIA - SP - 21h
13/06 - SESC CAMPINAS - SP - 19h30 - com Alçeu Valença
14/06 - FNAC - BRASILIA - 17h
14/06 - ARENA - BRASILIA - 22h - com Buguinha DUB e Casa de Farinha.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Especial Recife-Olinda_Era uma vez

Era uma vez...uma loja de discos

texto e fotos por Josie Moraes

Dia ensolarado com brisa fresca. Um verão diferente, daqueles que faz bem para as narinas. Existe mesmo a diferença do turista e do morador. O primeiro vê tudo com o olhar estrangeiro. O segundo segue a rotina, acorda, pega ônibus, vai para o trabalho , volta pra casa. E só. Numa viagem vale a experimentação. Pegar um ônibus em horário de rush, ir à farmácia, comprar pão, visitar o shopping da cidade, ler o jornal do dia, caminhar no centro comercial. Bingo.

Era isso. Antes, uma passadinha no mercado São José. De comida a artesanato. Toalhas, batida (parece rapadura), sarapatel, bonequinhas minúsculas, esculturas populares de barro, elementos de decoração, instrumentos, figuras do candomblé, cordel pra lá, cordel pra cá, por todos os lados. Ufa! Nos corredores um calor abafado, um cheiro de tudo o tempo todo. Para negociar preços, uma malandragem é mais do que necessária. Eles comem daquilo.

A caminhada seguia até o lugar certo. Na passagem, o Centro. Roupas baratas e ditando uma moda urbana parecida com o que passa na novela das oito. “Paçoca, suspiro, cocada, jujuba” dá-lhe Vanessa da Mata tocando em todas as lojas. Tem a farmácia popular, o sorvete custa menos de um real, churrasco grego também é uma opção de almoço, igrejas e mais igrejas passam pelo caminho. Uma arquitetura velha, parte reconstruída, parte deixada ruir. Ônibus, muito ônibus.

O destino: uma simples lojinha de CD - Oficina da Música. Um verdadeiro antro de nomes e figuras. Recomendado por um legítimo pernambucano, além de músico e fotógrafo. De longe parecia mais um lugar comum. Mas nota-se o diferencial na primeira batida de olho. Nas prateleiras, ao lado das camisetas com a orgulhosa bandeira pernambucana estilizada, nada de rótulos a la FNAC. Apenas nomes por ordem alfabética. Os mestres Siba, Zé Neguinho do Coco, Aurinha do Coco, Naná Vasconcelos, Mestre João Paulo, Maracatu Nação de Pernambuco, Mestre Salu, Tom Zé, Mestre Ambrósio, Silvério Pessoa, Maracatu Estrela Brilhante, Mestre Ferrugem, Alceu Valença, Itamar Assumpção, Antônio Nóbrega, Lenine. Ao tentar achar algum disco raro é possível achar mais outros ainda mais surpreendentes.

Em segundos, um êxtase, melhor do que qualquer droga. A empolgação toma conta do pequeno espaço e logo é preciso da ajuda de um profissional. Sim, profissionais. Não é qualquer um que pode vender disco naquela loja. Surpreendentemente um não-músico, apenas um estudioso, curioso, aguçado. Desprendido de qualquer bairrismo imbecil. A grande dúvida era a respeito dos novos. Quem? Como? Nessa hora, o profissional abre as caixinhas e coloca para tocar todos os títulos desconhecidos. Apenas pelo prazer de dividir conhecimento. Ao apresentar as composições faixa-a-faixa ainda indicava: “isto é frevo”, “percebe? é maracatu nação”, “aquilo é coco ciranda”, “este cara é o novo maestro Spok”. Delírio. Horas e horas. Uma sensação de tempo ganhado jamais sentida em um banco de Universidade ou curso acadêmico.

Impagável! Então a descoberta de um baú de tesouros: Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Cascabulho, Academia da Berlinda, Suvaca diPrata, Mira Negra, Tiné, Isaar, Mombojó, Soul Zé, Orquestra Contemporânea de Olinda, Spokfrevo Orquestra, Eddie.

Logo menos aqui.



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Vale a pena!

Loja Oficina da Música: Avenida Guararapes, 86 – Lj.04. Santo Antônio/ PE

terça-feira, 20 de maio de 2008

Opinião_ Evento de SBC


Virada ao avesso

texto por Josie Moraes
foto: Marcelo Célio (vista do Paço Municipal de São Bernardo do Campo - exclusivo - direitos reservados)

No final de semana, São Bernardo do Campo recebeu alguns artistas para a programação da chamada "Virada Cultural do interior". Nomes questionáveis, mas no mesmo conceito de miscelânea musical gratuita. Viola caipira, heavy metal, rock, música brasileira, banda independente, banda jabazeira de rádio, etc. Enfim, para todos os gostos.

No Paço Municipal molecada em peso. Sensação total de divisão de tribos, pra lá os manos, pra cá os rockeiros, do outro lado os "emos". Tudo definido pelo jeito de se vestir, andar em grupos e falar. Típico comportamento dos jovens em fase de formação. Aliás, uma cena que reflete tal transição adolescente foi vista no show da banda Autoramas (muito bom por sinal): um grupo de rapazes -de no máximo 18 anos - acionou um extintor de incêndio no meio da galera, ao lado de dois seguranças, que demoraram cinco minutos para entender a confusão.

O que intriga é a quantidade de lojas surf wear que o ABC ostenta. A falta de filmes de arte nos cinema da região. A quantidade de placas de carro que atravessam a Anchieta todos os dias para ir para o trabalho, por falta de opção na própria cidade. A precariedade de transporte público para as cidades vizinhas. A existência de parques bonitos e ausência de estímulos para s músicos locais.

Claro! Os sabiás e galos ainda cantam todas as manhãs. O urbano ainda é bastante verde. As pessoas se cumprimentam na rua. O trânsito não se compara a nenhuma Marginal. Os bairros carregam um estilo antigo de tranqüilidade. Mas até quando? Está mais do que na hora de acordar para o absurdo da mentalidade de achar que São Paulo é longe e de que o ABC é mesmo uma cidade de interior.

Ora, são 781.390 habitantes. Um índice de desenvolvimento humano de 0,834 e uma renda per capita de 21 mil reais. Sendo 17,7 km de distância da capital.
Quem não quer crescer fica dentro do casulo. Prefere culpar o caos do meio em que vive do que justificar a própria incompetência de tentar virar borboleta.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Pimentinha_Bastidores da música


Do outro lado do palco

por Josie Moraes


Ser cantor, compositor, músico, pintor, jornalista é uma coisa. Ser artista é outra. Parece a piada dita no Congresso tempos atrás: "Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa". Mas é a mais pura verdade. Nos bastidores tem de tudo. Para simplicicar, classifico dois tipos de posturas: "gente que mete a mala" e "gente que não mete a mala". Isso não tem a ver com fama, sucesso, ou patamar alcançado. De um lado, a imprensa. Jornalistas em busca de status e credenciais para garantir um lugar grátis e bem localizado. Como diz um editor meu "o típico jornalista de carteiradas". Comprometem toda a cadeia desgastada da relação entre jornalista e assessor de imprensa, já que só estão interessados em boquinha livre e histórias para contar para os amigos.


Se observar os assessores de imprensa então, teria um post gigante. Eles são úteis, mas infelizmente são recém-profissionalizados. Levam tanta carcada de jornalistas sabichões que a síndrome de MM (meter a mala) acaba contaminando. É comum encontrar o assessor-família, que além de assessor é tio, pai, primo, irmão ou qualquer pessoa que estava desempregada e viu no parente famoso a chance de ganhar dinheiro. Em média é fácil reconhecer. São os que mais dançam nos shows e fazem questão de deixar claro o quanto o assessorado é ocupado na hora de marcar uma entrevista. Tem também o assessor-pavão, que se acha mais famoso que o próprio assessorado, geralmente artistas frustrados. E por aí vai...

É triste quando a síndrome de MM atinge toda a equipe, começando pelo artista ou vice-versa. Alma de artista no palco e podridão artística nos bastidores. Exigências mil, falta de respeito com outros profissionais, contratos absurdos, orçamentos abusivos, ego mais do que centrismo. Trágico é ver que quando estão com holofotes focados se transformam em seres amáveis, gentis e cordiais.

Enquanto isso, quem não "mete a mala" se apresenta como músico, trabalha como profissional e encara o palco como a expressão máxima da sua arte, sem esquecer de valores humanos quando desce dele. Aí que está a diferença entre ser músico e ser artista. Ai se os fãs soubessem...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Especial Recife-Olinda_Chico Science



Malungo sangue bom


texto e foto por Josie Moraes

Inevitável não lembrar de Chico Science ao dizer Pernambuco. Aquele mesmo do chapéu de panamá, tênis e óculos grandes. O marco que a Nação Zumbi e Francisco de Assis França deixaram na música brasileira é para poucos, raros. Mais do que maracatu com rock, um liquidificador de sons verde-amarelos. Um legado de verdade, daqueles que mudam a história de outras pessoas, de um Estado, de um povo.


Um som inteligente, empolgante, raiz, hibridizado. Talvez apenas uma forma do Brasil conhecer o Brasil, contado por letras, harmonias, batuques e melodias. Ao pesquisar a cultura pernambucana, uma hora ou outra se esbarra no manguebit. Um braço de um conjunto de tradições tão rico, que provoca influência na economia local.


Mas de tudo que o malungo sangue bom de Peixinhos conquistou, o que mais impressiona é o respeito adquirido. Numa conversa de bar, numa entrevista com artistas de teatro, nas esquinas arquitetônicas, nos monumentos da cidade, nas palavras de mestres dos mais tradicionais, nos discursos políticos. Science sempre aparece com respeito e admiração na fala dos pernambucanos. Um herói que não morreu de overdose. Valorizado depois da morte, mas mesmo assim um herói. A consistência da obra da Nação Zumbi, que continua na ativa sem perder a criatividade, talvez seja a maior prova de que a arte tem o poder de se tornar imortal.


segunda-feira, 28 de abril de 2008

Especial Recife-Olinda_ Música


O coco do Zé


texto e foto: Josie Moraes


E aquela torre Malakoff da Alzira bebendo vodka vira cenário de show. Janeiro, um vento forte, poucas pessoas, clima de final de semana, evento gratuito. Ele chega. Uma presença forte, marcante, com elegância nos trajes, porte de artista. Alguém que chega e faz o que sabe: coco. Experiência única para turistas e locais.

José Severino Vicente, conhecido como Zé Neguinho do coco, cresceu no Morro da Conceição (PE). O rosto não esconde uma forte trajetória de vida, com traços de quem tem bagagem independente da idade alcançada. Ao lado de jovens músicos canta suas composições no estilo dos versos seguidos pelo coro de meninas talentosas. É possível encontrar um pouco do trabalho dele nas obras de Silvério Pessoa. Disco gravado? Não, infelizmente. Mais um triste episódio de falta de registro da cultura do País.


Um repertório empolgante, alinhado, cheio de linearidade. Sem contar letras que são imensos estudos do vocabulário nordestino. A mais famosa: "machadeiro, amola o machado, pra cortar o pau de quiri". Força, atitude e raízes. Para quem quer entender um pouco do Brasil desconhecido tão longe e tão perto.


segunda-feira, 7 de abril de 2008

Especial Recife-Olinda_ A proposta


Pernambuco debaixo dos pés...
e a mente...

Tupi, galdino, juruna, raoni, paulista. Jovem é jovem em qualquer canto do mundo. Trata-se de questão de espírito. Mas aqui, no caos total do cu do mundo cão (parafraseando o Lenine novamente) os jovens são ou perdidos com esse tanto de tudo acontecendo ao redor ou achados quando seguem um rumo e por isso pensam (no achismo) que são adultos.

Lá. Manifestação cultural, alegria alegria, expressão, mudança, transformação do meio. Quase raro. Aqui. A classe média está num bar fedendo cigarro, gritando alto, dividindo carne enlatada, posando de viciado feito aquele malandro protagonista do filme. Claro, tem em todo lugar, tem sim.

Tão bom escutar o som do mar, tão bom ouvir criança pegando um instrumento por intuição, tão bom os pés calejados de sol nem doerem. O acesso ao shopping e a antítese da esquina de um boteco cheirando coisas locais. Ver mais chinelos do que gravatas. Muito mais dança do que correria. Muito mais cor do que um cinza degradê. Opção. E o jovem. Ah, tão leves, fortes. Podem ter tudo e, já têm tudo aquilo a mais, que o jovem daqui não terá nem se quiser ter. Os sabiás daqui não cantam como os de lá.

Especial Recife Olinda por Josie Moraes

Novas bandas, novas pessoas, entrevistas, fotos, lugares, olhares, palavras. Abra seu ouvido!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Vale a pena_Iara Rennó


Voz, essa imensa voz

texto e foto por Josie Moraes


Sensibilidade é alma de artista. A observação nata para expressar suavemente alguns sentimentos ou até mesmo momentos de indignação para mandar o recado do protesto pessoal. Na música não importa a causa, pois som é pura conseqüência. O que provoca, mexe, lá no fundo. Libera.


"No fundo, de cada um pulsa um novo mundo. Cada indivíduo é um universo vivo. E você mesmo seu maior inimigo. No fundo, de cada um pulsa um novo mundo. Cada indivíduo é mais uma peça que completa essa equação complexa". Diz uma a letra da música "Protesto Pessoal" (Composição, 2004). Belíssima, profunda e real. Como todas as outras de Iara Rennó junto com Dona Zica.



Iara Rennó é pequenina e cheia de charme. Dona de uma boa dicção e capacidade de fazer brincadeira com palavras, poesia cantada. Na premiada música "Leve" (Composição, 2004), uma suavidade forte e interpretação única. Mais uma vez simplicidade acompanhada de climinha e acordes que fazem uma composição com fala e resposta. Colorida, diferente. Casa bem com parceiros, se divide. No palco, se espalha bem pelo ar. Uma brasileira com todas as letras.



O novo CD em carreira solo está no forno e será lançado no primeiro semestre de 2008. Resta esperar.



Vale a pena!


MySpace:

www.myspace.com/iararenno


Dona Zica na Rádio Uol!

sábado, 17 de novembro de 2007

Aposta_ Alê Vianna


Música e asas


por Josie Moraes


Publicidade e arte. A criatividade pode ter diversas formas, fôrmas e asas. Em mentes criativas surgem músicas e harmonias que ajudam a contar a história do novo século. Alê Vianna é nitidamente intuitivo, inspirado e um excelente contador de histórias. Carrega o violão nos churrascos e ouve música brasileira sem preconceito. Autodidata, entre o trabalho numa agência, partidas de futebol e encontros musicais, ele compõe e toca na banda Mojito Experience. Já com algumas apresentações na trajetória ele compõe letras inspirado por livros, reflexões sobre a sociedade e o universo jovem. Tudo bem hibridizado e influenciado.


Parte da juventude que espera um dia poder viver só de música, com o dinheiro do caminho paralelo, investe um pouco em equipamento para ajudar o estúdio improvisado na casa de Gui, baterista da banda. Mesmo lugar da reunião de um projeto de música experimental em uma grande jam session, o Kazasu. Batalha difícil e incansável nos grandes e pequenos centros urbanos repletos de espinhas de peixe*. Junto com centenas de outros músicos, pode contar com a ajuda da internet para divulgar o trabalho. Mas só de talento não vive a música. Democracia e carisma são necessários. Cantar aos ouvidos requer sentimento e sensibilidade, muitas vezes mais do que técnica e virtuosismo. Carisma não se aprende, a música sim.


Por isso, é uma aposta. Sem gravadora, sem produtor, ainda em fase de gravação. Mas experimentalmente são donos de funk, levadas dançantes e letras como a de “Horário eleitoral”, que deveria ser um verdadeiro hino para quem está inconformado com o País.

Aguardem notícias na RAIZ.


Vale a pena!

Eu aposto e você?






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* No filme Bye Bye Brasil (Cacá Diegues) espinhas de peixe significam as antenas de televisão que começavam a adentrar as casas do brasileiro na década de 80, tirando o encanto pela arte de rua.


domingo, 4 de novembro de 2007

Vale a pena_Vange Milliet


Mulher, menina, mulherão


por Josie Moraes
Foto de show: Renato Missé
Foto making of de livro "Música para...": Josie Moraes


São milhares de vozes bonitas existentes nesse Brasil, perdidas do grande público e achadas por pequenas parcelas de apreciadores musicais. Vange Milliet é um destes talentos indiscutíveis, tem tudo. Presença de palco, voz doce, parceria com gente boa, pesquisa e repertório cultutal. Já foi publicitária, trabalhou com fotografia e cantou em coral. Mãe dedicada quase teve o filho no meio de um show. Ora parece ter 23 anos ora mais de 30. Em uma noite gostosa em São Paulo recebeu com muita simpatia duas aspirantes de jornalismo para horas e horas de bate-papo. Vange Milliet ficou conhecida por acompanhar Itamar Assumpção com a Isca de Polícia em longos e bons anos. Rodeada por Zeca Baleiro, Bocato e Chico César, entre outras peças, seus CDs contam sempre com pitadas refinadas dos amigos.


No palco se transforma em um mulherão com própria identidade e aquele sorrisinho preso no lábio enquanto canta. E como canta. Na reflexão sobre a produção cultural do País tem opinião formada. "Eu acho que música popular brasileira é toda música que é feita aqui. Não tem restrição. A nossa música é diferente de qualquer lugar do mundo. Coisas que estavam até desaparecendo agora as pessoas agora têm até o orgulho som", afirma Vange.


No terceiro CD da carreira, Tudo em mil anda a mil (2006) ela mostra identidade e influências de bumba-meu-boi, bossa-nova, rock, samba e eletrônico. Destaque para a interpretação de "Morena de Angola" de Chico Buarque e para a leveza dos acordes de "Qualquer um". Em "Tudo a mil", uma balada gostosa inspirada em uma poesia de Paulo Leminski. O trabalho se resume em dois adjetivos misturados oportunamente: delicado e envolvente. Elementos modernos misturados com nostalgias sem a pretensão de estar na onda para vender. "Agora existem imposições do tipo: agora a moda é usar eletrônico ou ter música nordestina. Então todo disco tem que ter. Quando vira obrigação me cansa, acabo indo para o outro lado", confirma. Mais uma voz feminina que merece toda a atenção de ouvidos dispostos à boa e nova música brasileira. E vale a lição. Nem sempre é preciso estar sob a luz do holofote para um músico se sentir realizado.


Site oficial de Vange Milliet!

Cobertura_Incubus


Esperando mesmo

* texto e fotos por Josie Moraes

A ansiedade geral já era visível na porta do Citibank Hall, em 14 de outubro. A fila dobrava o quarteirão horas antes do show da banda Incubus. Aquela situação básica: estacionamentos enfiando a faca, cambistas em busca de ingressos sobrando. Há tempos uma banda de rock não lotava tanto a casa de shows mais intimista e mais gostosa de São Paulo. E os fãs? Tinha de tudo. O mais importante sobre essa questão fora do palco é a cara da galera, os bracinhos estendidos esperando o tão aguardado momento, os gritos para chamar a banda, a vibração ao apagar as luzes e os aplausos enlouquecidos ao ver o rostinho de cada músico chegando ao palco. Muito além do ineditismo, uma espera ansiosa por algo que não acontecerá em qualquer esquina, todos os finais de semana. Algo que nem os caras da banda deviam imaginar quando começaram.

Tocar rock no Brasil, na terra do samba. Comentários extras do universo ao redor a parte, o palco tão simples e negro deu espaço para mostrar o trabalho dos músicos: a música. Sem parafernálias e blá blá blá, a banda já chegou dando boas-vindas com uma do Morning View (2001), a "Nice to Know You". Depois seguiu com a mais popular do mesmo álbum “Wish you were here”. Agradaram os fãs da primeira vez com uma mistura de hits e nem tão hits dos quatro CDs mais legais dos seis já lançados. Set list impecável.

Histeria total pelo sensual Brandon Loyd, que canta ao vivo sem qualquer sombra de cansaço, dança e conversa bem pouco. Mas ele não rouba a cena totalmente não, sabe dividir um palco. Marcante a alegria do baixista Ben Kenney. Impressionante a atuação do mestre dos climinhas DJ Chris Kilmore. Perfeita as viradas do baterista Jose Pasillas e seus contratempos malucos. Pesados e inconfundíveis os riffs e solos de Mike Einziger. De lambuja um improviso, até batuque eles tentaram fazer com um tambor. Nada excepcional, mas muito válido. Atitude. Mostram respeito pela musicalidade sem clichês a la Bono Vox. Disseram “Olá São Paulo”, “Obrigado”, “Vamos lá”. E só. Quando a pegada forte e o tesão estão estampados na testa, não é preciso falar nada. Não é feita por brasileiros, mas é para brasileiros também. Fizeram um show com todos os requisitos para se tornarem inesquecíveis. Tem muito músico brasileiro aí que deveria ver e aprender. Simplicidade, talento, dinâmica afinada (nada muito alto nem baixo), sinergia e presença de palco, criatividade, respeito. Por essas e outras o povo brasileiro espera, paga o preço que for, compra CD, alimenta a banda. Falar menos e fazer mais!


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Nome do blog


De onde veio?


por Josie Moraes


Pois é, decidi ter mais um blog. Tive vários e parece que a coisa estava na minha cara e eu não queria ver, ou melhor, escutar...

Em 2006, tive a oportunidade de escrever um livro-reportagem fotográfico sobre música junto com a jornalista Victoria Vajda, intitulado de "Música para...". Trata-se de um mergulho na vida de alguns músicos na cidade de São Paulo. A obra se propôs também a tornar viva uma reflexão sobre o que é, enfim, a música popular brasileira, que preferimos chamar de música do Brasil produzida por brasileiros. Os capítulos formavam uma ironia referente a sigla MPB: Música para... bares, música para.. bem-estar, música para.. batucar, música popular do Brasil. Daí vem o nome do blog.Tivemos a grande oportunidade de contar com diversos músicos, musicólogos, jornalistas e estudiosos. Além de 12 fotógrafos fantásticos do
Projeto Rolê.

O resultaram foram 100 páginas de pura dedicação em mais de 80 fotos e textos escritos com base em muita pesquisa e entrevista. Agora, jornalista formada, ralando, batalhando um lugar dia-a-dia no concorrido campo do "jornalismo musical".Por que não continuar?O espaço está aberto para todos estiverem a fim de falar de música. Praticamente uma revista de blogosfera.


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